Nos últimos anos, a ciência tem avançado para um ponto muito interessante: entender que o câncer não é apenas um crescimento desordenado de células, mas um problema profundo no funcionamento da energia celular.
Essa energia é produzida dentro de estruturas chamadas mitocôndrias. Quando elas deixam de funcionar corretamente, a célula passa a produzir energia de forma “alternativa”, favorecendo o ambiente ideal para o câncer se desenvolver.
Ao mesmo tempo, existem dentro dos tumores as chamadas células-tronco cancerígenas (CSCs), que são as verdadeiras responsáveis por recidivas, metástases e resistência aos tratamentos tradicionais.
A ciência moderna tem chamado isso de Conexão Mitocôndria–Célula-tronco (MSCC).
E é justamente aí que entram alguns medicamentos já conhecidos, mas que vêm sendo estudados com uma nova finalidade: o reposicionamento farmacológico (uso off-label).
Um dos mais estudados é a Ivermectina.
O que é a Ivermectina?
A Ivermectina é um medicamento derivado de uma bactéria chamada Streptomyces avermitilis e é tradicionalmente utilizado há décadas como antiparasitário.
O que a pesquisa recente demonstrou é que ela possui propriedades anticâncer importantes, atuando exatamente nos pontos mais críticos da MSCC.
Como a Ivermectina atua nas células cancerígenas?
Estudos mostram que a Ivermectina:
- Induz autofagia (a célula passa a se “auto-destruir”)
- Induz apoptose (morte celular programada)
- Atua diretamente na mitocôndria, interferindo no metabolismo energético da célula tumoral
- Inibe a glicólise (principal forma de produção de energia do câncer)
- Regula enzimas fundamentais da etapa final da produção de energia (piruvato-quinase)
- Produz um efeito pró-oxidante seletivo, que afeta preferencialmente as células cancerígenas
- Atua sobre as células-tronco cancerígenas (CSCs), responsáveis por metástases e recidivas
- Modula a ação de macrófagos no microambiente tumoral, interferindo na proteção que o tumor cria ao seu redor
Ou seja: ela não age apenas na “massa tumoral”, mas nas raízes metabólicas do câncer.
Comparações com quimioterápicos clássicos
Em estudos científicos comparativos:
- In vitro (em laboratório), a Ivermectina foi mais eficaz que o Paclitaxel na inibição de células-tronco cancerígenas no câncer de mama.
- In vivo (em organismos vivos), mostrou-se mais eficaz que a Gemcitabina na redução do peso e volume tumoral no câncer de pâncreas.
Isso chama muita atenção da comunidade científica, porque estamos falando de medicamentos consagrados na oncologia.
Segurança do medicamento
Outro ponto importante é o perfil de segurança da Ivermectina. Em voluntários saudáveis, doses únicas de até 2 mg/kg não apresentaram reações adversas graves.
Em pacientes oncológicos, o uso diário por até 180 dias, com doses até cinco vezes maiores que a dose padrão (até 1 mg/kg/dia), também não mostrou eventos adversos graves.
Esse dado é extremamente relevante quando pensamos em terapias de longo prazo.
Uso combinado com outras substâncias
Relatos clínicos mostram que a associação de:
- Ivermectina
- Dicloroacetato
- Omeprazol
- Tamoxifeno
- levou à inibição do crescimento tumoral por disfunção mitocondrial, culminando na morte das células cancerígenas.
Mais uma vez, reforçando o papel central da mitocôndria no tratamento moderno do câncer.
O que isso significa na prática?
Significa que a medicina está começando a olhar o câncer não apenas como um problema genético, mas como um problema metabólico e energético.
E que medicamentos antigos, já conhecidos e seguros, podem ter um papel estratégico ao atingir exatamente essa conexão entre:
Mitocôndria + Célula-tronco cancerígena = a base da persistência do câncer.
Esse é um campo novo, promissor e respaldado por evidências científicas crescentes.
Clínica médica MP

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