A médica Amanda Medeiros destaca dados de estudo israelense que revolucionou os cuidados paliativos, mostrando salto de 18,7% para 69,5% na percepção de "boa qualidade de vida" dos pacientes.
O estudo "Prospective analysis of safety and efficacy of medical cannabis in large unselected population of patients with cancer" (Análise prospectiva de segurança e eficácia da cannabis medicinal em uma grande população não selecionada de pacientes com câncer), foi publicado no prestigiado European Journal of Internal Medicine (Revista Europeia de Medicina Interna). A pesquisa foi conduzida por pesquisadores em Israel, incluindo do Soroka University Medical Center e da Ben-Gurion University of the Negev, e analisou dados de 2.970 pacientes oncológicos.
A maioria (51,2%) estava em estágio IV da doença (ou seja, fase avançada, com metástase).
"Este é um dos estudos mais importantes que temos na medicina canabinoide", afirma a médica. "Ele é um pilar que usamos para basear a prática clínica, pois foi um dos primeiros a trazer dados em larga escala sobre o impacto real da cannabis na qualidade de vida em um cenário tão delicado quanto o cuidado paliativo."
Os resultados mais impactantes do estudo referem-se à dor, explica ela. Após seis meses de tratamento com cannabis, houve uma redução de 91% no número de pacientes que relatavam dor severa (classificada de 8 a 10 na escala de dor). Consequentemente, o uso de analgésicos opioides (como morfina e oxicodona) despencou:
- 36% dos pacientes conseguiram descontinuar totalmente o uso de opioides;
- 10% conseguiram reduzir a dose da medicação.
"O dado sobre opioides é transformador", diz. "Estamos falando de pacientes em estado grave trocando medicações com altíssimo risco de dependência e efeitos colaterais debilitantes. A cannabis medicinal, além de tratar a dor, devolveu o apetite e o sono, algo que os opioides não fazem”, completa.
O bem-estar geral foi o ganho mais expressivo. Antes do tratamento com cannabis, apenas 18,7% dos pacientes classificavam sua qualidade de vida como "boa". Após seis meses de terapia, esse número saltou para 69,5%.
O estudo também concluiu que a cannabis é "bem tolerada e segura", com efeitos colaterais relatados como leves (os mais comuns foram tontura, 8%, e boca seca, 7,3%). "Ver um salto de 18% para quase 70% na percepção de 'boa qualidade de vida' é uma vitória imensa. O estudo prova que os endocanabinóides são importantes para devolver o bem-estar ao paciente oncológico."
Quem é Dra. Amanda Medeiros
Médica graduada pela Universidade Iguaçu (RJ), com pós-graduações em pediatria, nutrologia pediátrica e psiquiatria da infância e adolescência. Possui certificação internacional em medicina endocanabinoide pela GreenFlower (Califórnia) e avançada em endocanabinologia pelo Instituto Plenos. Com mais de dois mil pacientes ativos, Dra. Amanda prescreve medicamentos à base de canabinoides, atua como mentora de outros médicos e participa de projetos humanitários no Brasil e no mundo.

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