O governo federal tem se mostrado muito preocupado com o controle dos gastos nos últimos anos. Desde 2024, a antiga “Lei do Teto de Gastos” foi substituída por um novo arcabouço fiscal, que limita o crescimento das despesas públicas a 70% do aumento real das receitas do ano anterior. Além disso, define um intervalo para o crescimento das despesas, entre 0,6% e 2,5% ao ano.
Na teoria, parece uma proposta razoável para equilibrar as contas públicas. Mas o problema está na prática – e principalmente em onde os cortes são feitos.
A política tenta simplificar a situação, comparando o orçamento do governo ao de uma casa. Se você ganha R$ 4.000 por mês e gasta mais que isso, precisa se endividar ou cortar despesas. Mas o que o governo está cortando não é a “pizza do fim de semana” (os gastos supérfluos), e sim o arroz e feijão – o básico da vida do povo brasileiro.
Não se trata de cortar “gordura”, como dizem. Trata-se de deixar o povo passando necessidade para pagar outras contas do governo.
Pense bem: você tem um carro que vive quebrando. Aí decide parar de comprar arroz e feijão para consertar o carro. Faz sentido? O carro é mais importante que sua alimentação?
Minha crítica não é ao corte em si, mas ao alvo dos cortes. Por que não começamos eliminando os supersalários? Por que não enfrentamos os privilégios do Judiciário, que sequer contribuem com a reforma?
Dizem que os salários foram reduzidos, mas mantêm os penduricalhos, os auxílios e os bônus milionários. Muitos que se dizem “liberais” defendem cortes para os outros, mas fogem quando chega a hora de cortar seus próprios privilégios.
Não sou contra austeridade quando feita com responsabilidade. O Brasil precisa organizar suas contas, sim. Mas isso não pode ser feito punindo os mais pobres enquanto mantém os benefícios das elites intocados.
O que vemos hoje é um governo que mente para a população. Diz que vai cortar onde precisa, mas não corta. Continua pagando juros absurdos da dívida, renegociando dívidas de grandes grupos e protegendo quem já tem muito.
Essa é a grande mentira da política brasileira.
Não sou economista, mas entendo que essa conta está sendo empurrada para o povo – e uma hora ela vai chegar. E vai chegar justamente em 2026, na eleição.
Se o governo e os políticos não tiverem coragem de mexer nos privilégios e reorganizar o Brasil com justiça fiscal, vão perder feio.

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