Pesquisa não ganha eleição. O que ganha eleição é voto. Nos últimos dias, começaram a pipocar várias pesquisas eleitorais no Brasil. E é legítimo perguntar: quem paga tanta pesquisa com tanto tempo de antecedência?
Os números apontam que o governador Ratinho Júnior estaria muito bem, que Sérgio Moro seria quase imbatível e que Rafael Greca seria o “candidato natural” a liderar. Uma das últimas pesquisas chegou a afirmar que Ratinho está tão à frente que poderia até enfrentar o presidente Lula numa disputa nacional. E todo dia tem uma nova manchete com alguma pesquisa diferente.
Mas é bom lembrar: eleição não se ganha com pesquisa. Na eleição municipal passada em Curitiba, diziam que Luciano Ducci seria eleito prefeito. Ele aparecia com 19, 20, até 30% em algumas pesquisas. E o resultado? Perdeu. Pesquisa é um retrato do momento, mas não é filme inteiro.
Agora saiu uma nova pesquisa da Paraná Pesquisas mostrando lideranças importantes para o Governo do Estado. Mas o que mais chama atenção não é quem aparece na frente. É que, na pesquisa espontânea, mais de 80% das pessoas respondem “não sei” ou “não opino”. Isso mostra que o povo ainda não está preocupado com eleição. E tá certo. A preocupação do povo é com o presente, com a vida real.
Vi uma manchete que dizia: “Resultado da Paraná Pesquisas anima o senador Álvaro Dias”. Claro que anima. Ele é mais conhecido que Coca-Cola. Mas ser conhecido não significa ganhar eleição. O ex-governador Requião, por exemplo, também é mais conhecido que Coca-Cola em Curitiba. E teve só 17 mil votos numa eleição pra prefeito.
Porque campanha não é eleição. E campanha também não é pesquisa. Campanha é diálogo, é olho no olho, é desconstruir o adversário, é mostrar posicionamento político. É explicar por que você é candidato e por que seu adversário representa outra coisa. É isso que decide uma eleição. Não é número em gráfico.
E ainda tem gente por aí espalhando bobagens, até com medo do que acontece com Donald Trump nos Estados Unidos, como se isso definisse o voto aqui. Calma. Como disse o Alckmin uma vez: “Na política, os ansiosos são os jornalistas e os políticos.” E eu acrescentaria: os tuiteiros também. De um lado e de outro.
A polarização continua! Não se iludam! A mídia pode tentar empurrar terceira via, quarta via ou nova via. Mas não vai colar. Porque, no Brasil de hoje, só existem dois líderes de massa de verdade: Lula e Bolsonaro. E o resto vai ter que correr atrás do voto. Porque é isso que ganha eleição.

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