Na última semana, houve a eleição e posse dos presidentes da Câmara e do Senado, e duas análises foram feitas de forma contínua pela imprensa: a eleição e o fortalecimento do Centrão. Na Câmara dos Deputados, foi eleito o deputado Hugo Motta, deputado desde 2010, com 35 anos de idade, ou seja, um jovem político, mas com uma experiência vasta. Vem de uma família tradicional da política paraibana e foi eleito com 444 votos, uma votação expressiva, dado o apoio que teve do PT, do presidente Lula, e do PL, partido de Bolsonaro.
Durante a discussão para a construção do consenso na eleição de Motta, ouviu-se falar em muitas lideranças, como Elmar Nascimento, da Bahia, do União Brasil, o líder do PSD, deputado Antônio Brito, também do estado da Bahia, além de tantos outros candidatos do MDB que se colocaram à disposição para liderar o Centrão. No entanto, nos bastidores da política, houve a escolha pelo Republicanos. O Republicanos tinha como candidato seu presidente, Marcos Pereira, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. Contudo, na hora da decisão, o partido, com a força de Arthur Lira, escolheu seu líder, deputado Hugo Motta.
Não se sabe ao certo, mas há rumores de que Arthur Lira teria dito a Marcos Pereira que o escolheria como candidato se o PSD, de Gilberto Kassab — o poderoso Gilberto Kassab —, o apoiasse. No entanto, Kassab disse não, e a candidatura do presidente do Republicanos caiu por terra, dando espaço ao deputado Hugo Motta. Com apoio da esquerda à direita, ele se comprometeu com as bancadas e tem protagonismo na articulação política. Motta foi muito próximo do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, líder do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Esse grupo, que desde a saída de Cunha tem liderado a Câmara dos Deputados, vê em Motta a representação de uma nova geração de políticos da década de 2010, surgida no final do primeiro governo Dilma.
Essa nova geração, muito conectada com as redes sociais, mostra a tendência de renovação na Câmara dos Deputados. Políticos tradicionais já não ganham tanto espaço como antes, e até as lideranças que ocupavam as cadeiras no Congresso desde a década de 1990 perderam protagonismo. Até a eleição de Lira, muitos líderes ainda eram remanescentes desse período, mas agora a geração de 2010 começa a assumir o comando.
Já no Senado Federal, pacificado mais do que nunca, elegeu-se o senador Davi Alcolumbre, do Amapá, que já havia sido presidente do Senado no governo Bolsonaro. De bom trânsito e conhecido por todos, Alcolumbre é um político que traz certa estabilidade, mas também fez acordos com o PT. A militância não gostou, seja do PT, seja do PL. Mas, como disse uma vez em entrevista o deputado Paulo Martins, vice-prefeito de Curitiba: "A militância está dois ou três tons acima", ou seja, entre a militância e a política real, existe uma diferença.
O que vale nos perguntarmos é: na hora da eleição, esses acordos serão lembrados? Eu acho que sim. As pessoas não esquecem. Tenho uma tese de que, quanto mais acordos são feitos — e a política vive de acordos —, mais a população os repudia. Porque, no final das contas, com o advento dessa nova forma de fazer política, a coerência e o posicionamento têm muito mais peso do que antes. Vamos ver. 2026 está logo ali.

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