Para o bem ou para o mal, a política mudou. Estava aqui agora analisando meus arquivos e o histórico político de muitos, observando a realidade política brasileira.
Ao analisar a eleição de 2018, percebe-se que, naquela época, ainda existiam grandes lideranças no estado do Paraná com significativa densidade eleitoral, mas que acabaram perdendo a eleição. Vou citar dois casos aqui.
O primeiro é o do meu amigo Nereu Moura, deputado representante do sudoeste, oeste, centro e sul do Paraná, que perdeu sua reeleição para deputado estadual.
O segundo é o de uma grande liderança política consolidada: Caito Quintana. Foi secretário de Estado e relator da Constituinte no Paraná. Em 2018, candidatou-se a deputado federal. Claro, em condições muito adversas pessoalmente, mas, veja bem: um catedrático, um sujeito de capacidade política inigualável, que fez, naquela eleição, apenas 8.299 votos. Está certo que Caito estava sem mandato e afastado da política, mas era um homem de grande respaldo e força política no Paraná. Não havia quem não o conhecesse no estado.
Outro caso foi o do meu amigo Nereu Moura, que ficou como primeiro suplente do MDB no Paraná, com 35 mil votos. Há quem diga: "Mas 35 mil votos é muito!" Sim, mas, para uma liderança que já havia chegado ao patamar de 90 mil votos, 35 mil é muito pouco. Ou seja, era muito difícil – e continua sendo – fazer política no Paraná desde a eleição de 2018.
Depois do impeachment da presidente Dilma, a política mudou. Hoje, quem se posiciona e tem clareza do seu lado ganha força, pois o eleitor quer saber de que lado você está. Não que aquelas lideranças do passado não tivessem lado – tinham –, mas o jogo político mudou.
Agora, não há mais espaço para discursos moderados ou políticos "água com açúcar". O que importa é posicionamento e clareza. Parafraseando o senador Roberto Requião: "É pau, polícia e cacete". Claro que não da forma como Requião dizia nos anos 90, mas agora esse "pau, polícia e cacete" acontece nas redes sociais – no Instagram, no TikTok. Esses são os novos palanques, os novos comícios.
Não é mais necessário organizar grandes eventos como os que Álvaro Dias fazia, trazendo Zezé Di Camargo e Luciano para arrastar multidões pelo Paraná. Hoje, basta dizer barbaridades e absurdos na internet. Quem sabe, assim, você vire um "Boca Aberta" da vida e se torne deputado estadual ou federal na próxima eleição.

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