No último final de semana, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) escolheu João Campos como seu novo presidente. O PSB sinaliza que caminha para projetos maiores, pensando numa esquerda pós-Lula.
João é o prefeito reeleito do Recife, com mais de 70% dos votos. A curto prazo, seu projeto político parece ser disputar o governo de Pernambuco em 2026. No entanto, é evidente que, dentro do "clã Arraes" — desde Miguel Arraes — há o desejo de ver alguém da família Campos na Presidência da República.
O fato é que Eduardo Campos, pai de João, teve seu projeto presidencial interrompido quando faleceu em um acidente de avião durante a eleição de 2014. Desde então, a família Campos e o PSB vêm construindo a imagem do "menino prodígio": engenheiro, prefeito eleito e reeleito, com forte engajamento nas redes sociais e inserido em um projeto de alcance nacional.
O que parece certo, no curto e médio prazo da política nacional, é a permanência de Geraldo Alckmin como vice de Lula. Mas a esquerda — especialmente a não petista — já começa a pensar nos projetos presidenciais de 2034 e 2038. Isso porque, caso Lula seja reeleito, é provável que, depois dele, venha um ciclo de governo da direita. A lógica eleitoral brasileira tem mostrado esse vaivém.
Claro que ainda é cedo para afirmar que João Campos será candidato à Presidência da República. Mas também é evidente que esse é um sonho que o PSB não esconde: ver João subir a rampa do Planalto. João é habilidoso. No Congresso, por exemplo, convidou o deputado Hugo Motta — presidente da Câmara dos Deputados — para participar do congresso do PSB. E, na vida pessoal, formou casal com a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), sua companheira, que também desponta como possível futura prefeita de São Paulo.
É legítimo imaginar que, pela primeira vez, São Paulo e Recife possam estar juntos em um projeto presidencial. João Campos representa a terceira geração de políticos bem-sucedidos em Pernambuco. Ele conhece o jogo eleitoral, dialoga com o centro político e tem apelo junto a uma nova geração — dos 30 aos 40 anos — que busca protagonismo. Ele é um nome da esquerda, sim, mas de uma esquerda renovada.
O PSB tem oxigenado suas executivas nacionais sem esquecer seu passado, inclusive o traumático golpe de 1964. O partido sai de uma crise de identidade justamente porque tem renovado seus quadros e apostado em lideranças jovens.
Mas, na política, tudo pode acontecer. Quem diria que Jair Bolsonaro, um deputado do baixo clero, chegaria à Presidência da República? Uma coisa, porém, é certa: ninguém vence eleição sem planejamento.
O PSB está se planejando para os próximos dez anos — e João Campos é a principal aposta para a era pós-Lula. E o PT? Vai de Haddad? Vai de Boulos? Vai de quem? Quando Lula deixar de disputar eleições, qual será o futuro do PT?
Não se sabe. Mas o que se sabe é que o PSB tem um sonho: ver seu representante subir a rampa do Planalto. E o nome escolhido é João Campos. O futuro a Deus pertence. Mas o presente indica que João é amigo do diálogo, conhecido por entregar resultados e, sobretudo, alguém que domina as redes sociais — hoje, o principal campo de batalha da política moderna.
O "bicho véio" sabe se comunicar.

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