O presidente Lula está pavimentando sua reeleição à Presidência da República. Na última semana, a deputada federal do Paraná e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, foi indicada para o Ministério das Relações Institucionais. Esse ministério é responsável por articular o relacionamento do governo com a política, o Congresso, a Câmara dos Deputados, os representantes classistas, prefeitos e demais lideranças.
Cheguei a assistir a uma entrevista do ex-ministro e atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em que ele mencionou que sua sala era como uma UPA – Unidade de Padilha de Atendimento –, pois passava horas e horas ouvindo e atendendo as demandas de prefeitos, deputados, lideranças e partidários, essa sua fala já mostra que precisa ter paciência e mais ouvido que boca, e tem que estar rouco de tanto ouvir.
A escolha do presidente Lula para esse ministério, nomeando a ministra Gleisi, é, sem dúvida, uma decisão estratégica. É claro que ele deve muito a ela, que sempre esteve na vanguarda da sua defesa, seja na presidência do PT ou no Congresso Nacional. Mas, como disse o senador Jaques Wagner, muitos "morderão a língua", pois Gleisi, apesar de ser vista com desconfiança por setores da direita e do conservadorismo brasileiro, é uma política muito habilidosa.
Ela conseguiu se eleger senadora pelo Paraná sem nunca ter sido vereadora na capital, Curitiba. Compreende profundamente a política, sabe como funcionam os riscos e não teme defender Lula.
Por isso, digo que o que Lula está fazendo com sua reforma ministerial é consolidar um time que garantirá sua reeleição. É óbvio: quando se coloca uma pessoa fiel em um ministério estratégico, como o de articulação política, significa que o presidente tem apenas um objetivo em mente daqui para frente – sua reeleição à Presidência da República. Afinal, apenas os mais fiéis estarão com ele nessa caminhada.

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