Nos últimos tempos, a cidade de Curitiba enfrentou debates que foram explicitamente baseados nas redes sociais. Primeiro, a nota de repúdio ao show da Anitta, proposta por um vereador considerado conservador. Segundo, as propostas, moções e discursos em torno de Trump e, posteriormente, sobre o MST.
Eu chamo essa política de Politilike, em que todas as decisões do mandato são tomadas com base no engajamento e na aprovação virtual. Isso, obviamente, tem reflexos. É claro que há eleitores para isso e que há pessoas que acreditam nessa forma de fazer política. No entanto, isso gera um efeito colateral: enquanto o foco está nas redes sociais, o "centrão", as negociatas, a venda de cargos, os cargos comissionados e a corrupção continuam imperando no Brasil.
Enquanto deixamos de discutir o que realmente importa — como a força da democracia, a participação popular e a negociação com clareza e transparência —, o Brasil se torna uma "republiqueta de banana". Claro que o like, o Instagram e as redes sociais são uma realidade inegável. Não podemos fugir disso, mas é preciso ter clareza. É essencial entender que as dificuldades políticas que enfrentamos não serão resolvidas com likes no Instagram, mas sim com coerência, posicionamento, clareza e articulação política.
Eu sempre defendo a tese de que, se eu não faço política, alguém fará política por mim. E se um vereador se preocupa mais com Twitter, Instagram e TikTok, alguém fará sua função, e, com toda certeza, o "centrão" e suas negociatas corruptas se fortalecerão nesses casos.

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