Esses dias, conversando com Alexandre Domingues, um grande radialista e diretor da Paraná Oficial, ele me disse que política é ideologia, não apenas um posicionamento entre esquerda e direita. E eu concordo com ele, porque o que se faz hoje não é discutir ideologia, posicionamento ou concepção de Estado, mas sim rotular se alguém é de esquerda ou de direita.
Quando falávamos sobre o PFL (Partido da Frente Liberal), esse partido tinha uma concepção ideológica clara sobre o papel do Estado na geração de riqueza. Defendia a ideia de um Estado mínimo e a necessidade de privatização de estatais. Do outro lado, você tinha uma política mais fluida no PMDB, que reunia liberais, conservadores e progressistas, fazendo um jogo político complexo. E, à esquerda, estavam partidos como PT, PDT e PSB, que defendiam o Estado como indutor da economia e gerador de empregos, com uma concepção ideológica forte sobre o papel do Estado na formação da sociedade.
E era isso que se discutia. Agora, não. Agora, o posicionamento se resume a polêmicas vazias, como a opinião da Anitta, notas de repúdio aqui e ali, e quem bateu em quem. Como disse em outro texto, é “pau, polícia e cacete”. Mas não se trata de debater a concepção do Estado ou a privatização da COPEL e da SANEPAR, que o governador Ratinho Júnior implementou sem gerar grande impacto político.
Não se quer discutir, por exemplo, o fato de que os professores do estado do Paraná, que mal têm tempo de planejar uma aula ou organizar sua semana de trabalho, estão sendo acusados de doutrinar as escolas com uma formação esquerdista. Isso é tudo balela. Mas o currículo escolar, que deveria ser a verdadeira pauta de discussão, não é abordado. O que se discute agora é um posicionamento ideológico sobre a sociedade, enquanto a economia fica de lado. Como já disse antes, o "polite like" continua imperando no Brasil.
Agora você me pergunta: “Mas Luan, tem saída para essa situação?” Eu vejo que a única saída é fomentar, não a volta do debate ideológico da década de 90, mas a volta de uma verdadeira concepção do que é política. A verdadeira política se faz no debate entre os diferentes, com base em argumentos sólidos. É claro que é dificílimo competir com o TikTok, que é muito mais efetivo na narrativa de um texto, muitas vezes denso e complexo. Mas ainda assim, a concepção e a realidade imperam.
Vocês podem não gostar, mas até a leitura marxiana sobre a sociedade ainda impera até hoje: a divisão de classes, a concepção do Estado e a Revolução do Proletariado. Isso ainda faz parte da realidade brasileira.
Não estou pedindo para que os liberais, conservadores leiam Marx. Mas estou pedindo para que os liberais, os progressistas e os conservadores entendam que política não é sobre quantos likes você tem no Instagram. Política é sobre o que você pode melhorar na vida das pessoas. Isso é política de verdade.
E só haverá uma concepção real da realidade se tivermos a capacidade e a humildade de entender que esse debate de esquerda e direita, Bolsonaro e Lula, é ridículo, frívolo, pequeno e insignificante diante da realidade brasileira.

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